Agressividade preocupa professores
cezar alves
Da redação
O Governo do Estado reconhece que o quadro da educação fundamental I e II no Estado não anda bem, conforme levantamento do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Admite que os investimentos não são direcionados como deveria, reclama da ausência do repasse de verbas federais, da falta de valorização dos profissionais da educação e da ausência dos pais nas escolas.
Os coordenadores, supervisores e professores têm outra reclamação, ainda mais grave do que todas as outras já mencionadas: o grau de agressividade que cresce assustadoramente entre meninos de 7 a 15 anos. A reclamação parte de profissionais da educação assustados da maioria dos municípios do Estado.
A reportagem do JORNAL DE FATO visitou a Escola Estadual Ten. Coronel José Correia, do ensino fundamental I e II, em Assu. Lá estudam precisamente 810 alunos nos três turnos. Quem recebeu a equipe foi a coordenadora Lígia Borges e a supervisora Lurdimar Amorim. Esta última tem mestrado em Educação Infantil e 20 anos de experiência.
Antes mesmo de Lurdimar confirmar que a agressividade das crianças em sala de aula aumentou nos últimos cinco anos, aparece a professora Conceição Bezerra, com duas crianças. Uma havia dado um murro na cara do outro. A professora havia tentado apartar e também apanhou. Lurdinar suspendeu as duas crianças até que os pais compareçam na escola para uma conversa com a professora.
Antes de a entrevista recomeçar, chega outra professora com um menino que havia cortado o dedo de uma colega de classe porque esta se negou a lhe dar uma caneta. A supervisora enrolou o ferimento com um lenço de papel e conversou com menino. Os dois voltaram para sala de aula. A entrevista enfim recomeçou. Mas não demorou muito. Gritos numa sala de aula atraíram a atenção da supervisora.
Era uma menina puxando os cabelos de outra e um menino batendo nela. Na sala, parece um campo de guerra. A professora, com cara exausta, gritava, mas os alunos não a escutavam. A supervisora contou que este é o ritmo nos três horários. Ela teme mais os alunos da noite, pois são mais velhos. Ela lembra que já flagrou crianças com facas e canivetes. "Já atendi casos aqui que foi preciso chamar o Conselho Tutelar para levar a criança", conta a supervisora.
Para Lurdimar Amorim, dois fatores poderiam contribuir para redução da agressividade das crianças: a presença dos pais no processo de educação escolar e um estudo científico para detectar precisamente o que está deixando as crianças mais agressivas e como combater este mal, que, segundo ela, num prazo de dez anos trará conseqüências sociais gravíssimas.
Escola perdeu três mil livros num incêndio
Ao chegar a Escola Coronel José Correia já foi possível perceber uma menina pulando o muro, que é baixo. O prédio é do período colonial. Está sendo usado como escola desde 1974. O local nunca passou por reformas na estrutura física. A segurança é precária. A biblioteca e sala de vídeo foram destruídas há quinze dias num incêndio.
As salas são pequenas e quentes. Não existe local de recreação, atividades físicas ou culturais. Para se ter uma idéia do sufoco, o local onde funciona a diretoria, coordenação e supervisão têm menos de quatro metros de largura com dois e meio de fundo. Computador é um sonho.
As infiltrações nas paredes são visíveis em várias alas da estrutura física da escola. A rede elétrica é velha e constantemente dá problemas. A cozinha, quando chove, é preciso parar tudo, pois molha as paredes e o piso, apesar da estrutura ser nova.
Para completar, a biblioteca e a sala de vídeo foram destruídas por um incêndio há quinze dias. Mais de três mil livros, estandes, eletrodomésticos, cadeiras, entre outros objetos foram destruídos. A direção ainda não calculou o tamanho do prejuízo.
Segundo a coordenadora Lígia Borges, o Governo do Estado já foi oficializado diversas vezes. Inclusive, a secretaria enviou o engenheiro Antônio Pereira para fazer uma avaliação da estrutura física. As professoras disseram que o Governo do Estado reclama que não tem recursos para recuperar a estrutura, que na verdade precisa ser derrubada e construída outra.
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