segunda-feira, 25 de agosto de 2008

eleições

Grandes empresas e banqueiros financiam as principais campanhas e ditam a política



Nas eleições privatizadas, o PSTU se mantém independente, não aceita dinheiro da burguesia e realiza suas campanhas através das contribuições de ativistas, militantes e trabalhadores.

Um dos temas que mais tem indignado a população é a corrupção na política. Tudo que o sistema capitalista toca, corrompe. A aparente democracia e igualdade, no fundo, é uma farsa. Nas eleições, elege-se quem tem grana e quem é apoiado pelos grandes meios de comunicação, isto é, pelos grandes empresários.
As milionárias "doações" feitas pelas empresas revelam que os politicos e o governo são comprados antes mesmo de assumirem. As eleições foram privatizadas e as campanhas são bancadas pelas grandes empresas, empreiteiras e bancos.


Quem paga a banda…

O governo de Lula estremeceu dianta do escândalo do mensalão em 2005. Mas passaram despercebidas as "doações" que os empresários fizeram à candidatura Lula em 2006, onde recebeu cerca de R$ 100 milhões. As "doações" foram de banqueiros, empreiteiras, mineradoras, siderúrgicas e do agronegócio. Curiosamente, Lula favorece essas grandes empresas, inclusive emprestando dinheiro público do BNDES, a baixos juros e a longo prazo. Só a Vale, uma das "doadoras" recebeu R$ 7 bilhões do BNDES em 2007.
Nesse quadro, as eleições em Belo Horizonte revelam novidades na política nacional. A amplíssima maioria dos candidatos se autodenominam "socialistas" ou "comunistas", porém a maioria é governista. Os grandes partidos (PT e PSDB) se uniram, lançando como
candidato um empresário milionário, Márcio Lacerda (PSB), com o apoio de Lula. O atual prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT) e o governador Aécio Neves (PSDB) são os principais cabos eleitorais do empresário, que estima seus gastos de campanha em R$ 14 milhões.


A "esquerda" financiada pelas grandes empresas

Na capital mineira, a candidatura de Jô Moraes, do PCdoB, lidera com cerca de 20% das intenções de voto. Jô Morais eseu partido, participa do governo municipal de Pimentel e federal de Lula. Expressa um programa semelhante ao programa petista aplicado em Belo Horizonte.
Nessas eleições, Jô e o PCdoB cumprem um papel nefasto. Diferenciam-se da chapa PT-PSDB para atrair o eleitorado descontente com essa união. Para não deixar este eleitor optar por alternativas que de fato representem os trabalhadores, o PCdoB se lança para conquistar este espaço e levá-los de volta para o berço da frente popular, ou seja, do governo Lula. O PCdoB critica a união PT-PSDB em Belo Horizonte, porém, seu candidato em Aracaju (SE), é coligado com o PT e o PSDB.
Além disso, a candidatura é patrocinada por um dos maiores empresários de Minas, o vice-presidente José Alencar (PR). Grandes empresas também financiaram sua última campanha (e do PCdoB) nas eleições de 2006.
Para as eleições de 2008, Jô Moraes informa que gastará R$ 7 milhões. O PCdoB cresce em todo o país, financiado por grandes empresas. Segundo estimativas do TREs, gastará cerca de R$ 36 milhões nas 15 capitais e maiores cidades do país. Onde um "partido comunista" conseguirá tamanha fortuna?
Por outro lado, a candidatura de Sérgio Miranda (ex-deputado do PCdoB, expulso porque votou contra a reforma da Previdência do governo Lula), com tradição no meio sindical e popular, optou por manter as suas atividades políticas no PDT. Em Minas, o PDT apóia todas as políticas neoliberais de Aécio. É da base aliada do governo Lula, ocupando inclusive o Ministério do Trabalho. Nas eleições de 2006, Miranda também recebeu recursos de grandes empresas como a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração e Gerdau-Açominas.

PT e PSDB estão juntos em mais de mil cidades
A aliança selada pelo PT e o PSDB em torno do empresário Márcio Lacerda (PSB) para a disputa da prefeitura de Belo Horizonte, é exemplo de como essas siglas hoje pouco se diferem. A aproximação uniu o governador tucano Aécio Neves, apontado como um dos principais presidenciáveis para 2010 e o prefeito da capital mineira, Fernando Pimentel, do PT. Na verdade, é parte de um "plano B" de Lula para 2010, caso o candidato do PT não decole, Aécio pode vir a ser o candidato do próprio Lula.
O empresário Márcio Lacerda não é um nome qualquer escolhido para servir como testa-de-ferro da candidatura Aécio. É, em todo o país, o candidato mais rico dessas eleições, segundo as declarações de renda prestadas ao TSE, com um patrimônio de mais de R$ 55 milhões. Ex-militante de esquerda, Lacerda enriqueceu na área de telecomunicações, e foi envolvido no escândalo do mensalão em 2005. Lacerda, então secretário do Ministério da Integração Nacional de Ciro Gomes, teria sacado R$ 457 mil das contas do publicitário Marcos Valério, entre 2003 e 2004.

Irmãos siameses
A coligação entre petistas e tucanos não deixa de mostrar a coerência dos dois partidos que aplicam a mesma política e se afundam em inúmeros casos de corrupção. A aliança em Belo Horizonte, porém, por ocorrer em uma importante capital e apontar uma tendência em 2010, provocou polêmica. No entanto, em centenas de municípios país afora, ela já é uma realidade.
Um primeiro levantamento do TSE atesta a coligação entre os dois partidos em 1.130 cidades, o equivalente a mais de 20% de todos o país. Tal número, deve cresce após contabilizadas todas as candidaturas. Considerando que existem alianças informais, como a de Belo Horizonte, esse número pode ser bem maior.
Tais alianças, entretanto, não são novidades dessas eleições. Nas últimas eleições municipais, a coligação entre PSDB e PT ajudou a eleger nada menos que 149 prefeitos. Em 51 deles os dois partidos disputaram em dobradinha, ou seja, um candidato tucano a Prefeito e um petista a Vice e vice e versa.
Não é à toa que a adaptação parlamentar do PT à institucionalidade tenha começado nas prefeituras. As eleições municipais não deixam de ser um prenúncio às tendências mais gerais. Será que em 2010 os militantes petistas serão obrigados a entoarem "Aécio Lá"?


As candidaturas do PSTU não aceitam dinheiro de empresários
Os recursos das campanhas eleitorais das candidaturas do PSTU e das coligações que o partido compõem, são frutos da contribuição dos trabalhadores, de ativistas e militantes.
Em Belo Horizonte, a candidatura da Frente de Esquerda (PSTU-PSOL) é a única que não receberá dinheiro das empresas. Gastará no máximo R$ 50 mil, tudo proveniente de contribuições de trabalhadores e militantes, que dedicam trabalho voluntário para desenvolver a campanha. Nosso objetivo na campanha não é eleger por eleger, o vale-tudo na política, e sim fazer a disputa política e programática com as outras candidaturas. O objetivo é ganhar a população trabalhadora para um programa revolucionário.
Nas últimas pesquisas, Vanessa Portugal aparece em segundo lugar, com 5%, em empate técnico com Márcio Lacerda, que tem 9%. Os eleitores da Vanessa são na maioria jovens, trabalhadores que ganham até 3 salarios mínimos e tem escolaridade média (segundo grau).
Por não termos rabo preso com as empresas é que podemos apresentar um programa de luta e de ruptura com o sistema capitalista.
Defendemos que todo vereador, deputado, senador, prefeito, governador ou presidente devam receber um salário médio de um trabalhador, necessário para viver (hoje estimado em cerca de 2 mil reais pelo DIEESE). Para nós, a política não pode ser um meio de enriquecimento pessoal e sim um serviço prestado à comunidade. Defendemos também a revogabilidade de mandato. Não temos porque esperar quatro anos para deletar um candidato que prometeu mundos e fundos e depois faz o contrário quando chega ao governo.


Nenhum comentário: