quarta-feira, 14 de outubro de 2009 comentários (2)
por Júlia Almeida, do DCE USP e da Comissão Executiva Nacional da ANEL
Em defesa da multinacional Cutrale, Lula e a mídia fazem coro chamando o MST de “vândalos”.
No último dia 28 de setembro, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) iniciou a ocupação da fazenda Santo Henrique, no interior de São Paulo. O movimento contava com 250 famílias sem-terra e ocupou a fazenda para denunciar que as terras, hoje sob propriedade da multinacional Cutrale – empresa produtora de suco de laranja para exportação -, são, na verdade, terras públicas, conseguidas pela empresa através de grilagem. O próprio Incra (Instituto para a Colonização e Reforma Agrária) reconhece esse fato.
Bastou o fato de os militantes do MST terem derrubado alguns pés de laranja – cerca de 5 hectares de uma área total de 3 mil hectares, segundo o MST – para plantar comida para os ocupantes, para que os jornais logo saíssem à defesa da multinacional Cutrale. O fato alcançou tamanha repercussão que Lula também teve que mostrar de que lado está: chamou os militantes do MST de vândalos, seguido por outras tão “ilustres” personalidades como o (quase ex) presidente do Senado, José Sarney. No último dia 07 de outubro, as famílias foram retiradas da fazenda, sob forte esquema policial, devido à determinação da Justiça.
Esse fato é uma demonstração cabal, quase caricatural, da hipocrisia em nosso país: vândalos são aqueles que ocupam uma terra pública para dar uma vida mais digna para 250 famílias e não aqueles que se apropriam de uma terra pública para ganhar milhões de reais em lucros da exportação do suco de sua monocultura de laranja.
por Júlia Almeida, do DCE USP e da Comissão Executiva Nacional da ANEL
Em defesa da multinacional Cutrale, Lula e a mídia fazem coro chamando o MST de “vândalos”.
No último dia 28 de setembro, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) iniciou a ocupação da fazenda Santo Henrique, no interior de São Paulo. O movimento contava com 250 famílias sem-terra e ocupou a fazenda para denunciar que as terras, hoje sob propriedade da multinacional Cutrale – empresa produtora de suco de laranja para exportação -, são, na verdade, terras públicas, conseguidas pela empresa através de grilagem. O próprio Incra (Instituto para a Colonização e Reforma Agrária) reconhece esse fato.
Bastou o fato de os militantes do MST terem derrubado alguns pés de laranja – cerca de 5 hectares de uma área total de 3 mil hectares, segundo o MST – para plantar comida para os ocupantes, para que os jornais logo saíssem à defesa da multinacional Cutrale. O fato alcançou tamanha repercussão que Lula também teve que mostrar de que lado está: chamou os militantes do MST de vândalos, seguido por outras tão “ilustres” personalidades como o (quase ex) presidente do Senado, José Sarney. No último dia 07 de outubro, as famílias foram retiradas da fazenda, sob forte esquema policial, devido à determinação da Justiça.
Esse fato é uma demonstração cabal, quase caricatural, da hipocrisia em nosso país: vândalos são aqueles que ocupam uma terra pública para dar uma vida mais digna para 250 famílias e não aqueles que se apropriam de uma terra pública para ganhar milhões de reais em lucros da exportação do suco de sua monocultura de laranja.
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