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sexta-feira, 22 de abril de 2011

CUT -CENTRAL ULTRAPASSADA DOS TRABALHADORES

ELIO GASPARI

O ocaso do sindicalismo emergente


Feito o acordo com os baronetes, a Camargo Corrêa anunciou que irá demitir 4.000 peões em Jirau

ALGUÉM FEZ PAPEL de bobo em Jirau. Na segunda-feira, milhares de trabalhadores aceitaram um acordo coletivo negociado pela empreiteira Camargo Corrêa com a CUT e o sindicato dos operários na construção civil de Rondônia. Horas depois, a empreiteira anunciou que demitirá 4.000 empregados. Fez papel de bobo quem achou que essas demissões não ocorreriam.
Na semana passada, o ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, antecipara a degola, argumentando que a construtora contratara gente demais. Aquilo que durante a campanha eleitoral era crescimento do emprego, virou "contratação desenfreada".
Há um mês, os peões do PAC fizeram na Amazônia o maior movimento de trabalhadores das últimas décadas. Parados, mais de 30 mil operários das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio conseguiram um acordo emergencial que lhes deu 5% de aumento real e pagamento regular de horas extras. Poucos dias depois, receberam a maior demissão em massa ocorrida desde o massacre da Embraer, em 2009.
É direito da Camargo Corrêa dispensar quantos funcionários queira. Não é razoável, contudo, que o Ministério do Trabalho e a nobiliarquia sindical façam de conta que nada aconteceu.
Na noite de segunda-feira, o portal da Força Sindical dedicou 74 palavras ao assunto, contra 838 para uma greve grega. A CUT, nem isso. Destaque, só na página da Conlutas, ligada ao minúsculo PSTU, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado.
A justificativa da mudança de ritmo na obra pode ser sincera de parte da empreiteira, mas é capciosa quando vem do governo. Uma semana antes do quebra-quebra de Jirau, a presidente Dilma Rousseff pediu pressa nas obras das hidrelétricas da Amazônia.
Nenhum baronete das centrais sindicais perderia uma perna se pusesse a cara na vitrine, como fez Gilberto Carvalho (um petista histórico, formado na Pastoral Operária), sustentando que há lógica nas dispensas. O assunto foi tratado com o silêncio da floresta porque as obras estão no mato e os trabalhadores são peões. Se as demissões acontecessem numa grande cidade, degolando numa categoria com melhores salários e algum ativismo político, o barulho seria enorme.
Os baronetes do novo sindicalismo pregarão uma peça nos empresários que há anos veem neles exemplos de moderação. Ela poderá vir da mesma farinha que surpreendeu o andar de cima nos anos 70 com o surgimento dos metalúrgicos do ABC e de um barbudo chamado Lula.
Até então, federações, confederações e sindicatos de empregados variavam apenas na medida da docilidade. O peleguismo da ditadura ajudou a criar o PT. A nobiliarquia emergente começou a servir de tablado para a Conlutas e o PSTU.
Para ter uma ideia do que é essa novidade, seu programa defende o "rompimento com o FMI", a suspensão do pagamento da dívida pública, a expropriação de grandes empresas, reestatização daquelas que foram privatizadas, monopólio estatal do comércio exterior, bem como o congelamento de preços, tarifas e mensalidades escolares.
Tudo isso e mais reajuste mensal de salários.
Em 1980, quando o PT foi fundado, defendia coisa muito parecida.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

SEMINÁRIO DA EDUCAÇÃO - OPOSIÇÃO AO SINTE RN


Alguns pontos retirados do seminário da oposição ao Sinte Rn
Denúncia das políticas neoliberais dos governos Lula e Vilma;
Por uma chapa independente e autônoma dos governos e patrões, socialista e de luta;
Insatisfação da categoria em relação à diretoria;
Desmascaramento da prática sindical da atual diretorial do sinte - RN,bem como seu governismo;
Resgate do sindicato para ser um instrumento da luta da categoria;
Democracia operária - a base controla a direção e não o inverso;
Introdução de conteúdo de formação política para a categoria;
Formação da chapa a partir de uma plenária de base;
Auto-financiamento da campanha;
Formação de uma coordenação geral da campanha - composta por 10 pessoas - já escolhidas durante o seminário do dia 25/04/09.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

JÚNIOR RODOVIÁRIO DO PT PERDE ELEIÇÕES NO SINTRO RN

Após briga, chapa de oposição derrota Júnior Rodoviário e assume presidência
Júnior SantosPaulo Herôncio, da chapa 2, foi agredido por partidários de Júnior Rodoviário24/04/2009 - TN Online
Publicada às 10 h
O motorista Nastagnan Batista, que concorria pela chapa 2, é o novo presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Rio Grande do Norte (Sintro-RN). O resultado foi anunciado por volta das 16h de hoje. Com uma vantagem de 163 votos, ele venceu o atual presidente, ex-vereador Junior Rodoviário, que concorria pela chapa 1.Depois de uma campanha acirrada e uma confusão que resultou na suspensão temporária da apuração, Nastagnan desbancou Junior Rodoviário, que há 18 anos detinha o poder no sindicato. O resultado foi bastante comemorado por motoristas e cobradores que estavam na sede do sindicato – próximo ao viaduto do Baldo - e também por alguns que passavam em pleno serviço. Ainda não há data marcada para a posse do novo presidente. Briga interrompe votaçãoUma briga entre partidários das chapas 1 e 2 que disputam a eleição do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários do Rio Grande do Norte foi parar na delegacia de plantão da Zona Sul da capital. A apuração dos votos, cuja eleição foi encerrada quinta-feira (23) à noite, foi suspensa quando a comissão eleitoral apurava os votos da 15ª. Josafá dos Santos Vieira, o Jamaica, rodoviário de Salvador (Bahia) aplicou vários socos em Paulo Herôncio da Silva Galdino, da chapa 2. Com um instrumento conhecido como soco inglês, Jamaica atingiu Herôncio na cabeça; socorrido no pronto-socorro, Herôncio levou seis pontos na cabeça.A comissão eleitoral retomou a apuração dos votos agora há pouco. Ainda faltam ser contabilizados os votos de 14 urnas. Votaram 2.700 eleitores. O resultado deverá ser conhecido até o início da tarde.Em entrevista à TN online, o candidato da chapa 1 Nastagnan Batista acusou o atual presidente do Sintro, Júnior Rodoviário de não ter compromisso com a categoria. "A briga foi um artifício usado por Júnior Rodoviário porque o resultado da eleição não é favorável a ele", disse Nastagnan.

quinta-feira, 12 de março de 2009

reestatização da EMBRAER

cAMAPNHA PELA RESTATIZAÇÃO DA EMBRAER


Com a presença de mais de 150 pessoas, é lançada a campanha nacional pela reestatização da EmbraerLuciana Candidoda redaçãoMais de 150 pessoas se reuniram na Câmara de Vereadores de São José dos Campos na tarde desta quarta-feira no de lançamento da campanha nacional pela reestatização da Embraer contra as demissões na Embraer. Chamou a atenção a representatividade e o sentimento de unidade expresso por todos os presentes na defesa do emprego e da reestatização da empresa.Compuseram a mesa, coordenada por Luís Carlos Prates, o Mancha, do Sindicato dos Metalúrgicos de são José dos Campos e Região, Rosangela Calzavara e Adilson dos Santos, o Índio, também diretores do sindicato. Além deles, estavam representadas as centrais sindicais Conlutas, Intersindical, CTB e CGTB. Também falaram em defesa dos trabalhadores Ade rson Businger, conselheiro da OAB-RJ, Gilmar Mauro, do MST, Eduardo, da Pastoral Operária, Toninho Ferreira, do PSTU, e Miguel Leme, do PSOL. O vereador Tonhão Dutra (PT) e um representante do deputado Ivan Valente (PSOL-SP) também estavam na mesa.Atnagoras Lopes, da Conlutas, parabenizou a presença de setores tão diversos. Para ele, as demissões na Embraer reacenderam o debate sobre a privatização da empresa, que ele considera um patrimônio público, nos anos 1990. "O governo Lula não foi omisso no caso da Embraer, porque essa omissão demonstra um lado, o dos empresários", disse.O dirigente da Conlutas foi além. Ele defendeu que o momento de crise e a catástrofe do desemprego impõem a necessidade de "pautar o debate estratégico e apontar uma saída para a classe trabalhadora". Para Atnagoras, a saída é um mundo socialista. Ele finalizou a sua fala chamando todos os presentes a construir o dia 1º de abril como o Di a Nacional de Mobilização. "Temos de pôr em prática nosso papel histórico nesse momento, que é mobilizar, mobilizar, mobilizar", concluiu.Ana Paula, da Intersindical, também fez um chamado à construção do dia 1º de abril. Ela disse que os trabalhadores não podem aceitar nenhuma retirada de direitos ou redução salarial. "Eles vão tirar nossos direitos e vão continuar demitindo", disse. Ana Paula ressaltou que a luta da Embraer é uma luta de toda a classe trabalhadora e informou que a Intersindical vai apresentar uma proposta de documento para a campanha pela reestatização da empresa.Soberania nacionalRepresentando o PSTU, Toninho Ferreira, que foi candidato a prefeito de São José dos Campos pelo partido nas últimas eleições, era funcionário da Embraer na época da privatização. Ele lembrou as mobilizações da época, as mentiras e a ofensiva do governo federal e da burguesia contra os trabalhadores. Toninho disse que Collor iniciou o processo e Fernando Henrique Cardoso vendeu a estatal. Mas também alertou que Lula continuou privatizando outras estatais e patrimônios públicos, como os poços de petróleo.Toninho criticou duramente o presidente Lula. Ele explicou que, em 2007, uma compra de aviões pela Venezuela foi barrada pelos investidores estrangeiros. "Cadê a soberania nacional?", questionou. Ele acredita que é possível e necessária a reestatização da Embraer, "mas o controle tem que ser nosso, nós queremos mais do que torcida", falou referindo-se à reunião do sindicato com Lula, em que o presidente disse que estava torcendo pelos trabalhadores.Unidade do campo e da cidadeO Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) estava representado pelo seu dirigente Gilmar Mauro. O movimento vem sofrendo uma dura perseguição que, para ele, está ligada à crise e à possibili dade de se intensificarem as convulsões sociais em todos os setores.Ele disse que ainda não há uma posição do MST sobre o caso das demissões da Embraer, mas se mostrou solidário e defendeu a campanha. Gilmar Mauro acredita que "só estamos no início de uma crise que não é nossa, é do capital, mas vai ter consequências graves"Outros movimentos populares também participaram do ato. Os moradores da Ocupação Pinheirinho, de São José dos Campos, a maior ocupação urbana do país, estão empenhados na campanha. A ocupação é dirigida, atualmente, pelo MUST. O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTS) também mandaram representante.Por uma saída unitáriaDepois das falas, os presentes que estavam no plenário gritaram a palavras-de-ordem "essa unidade é pra lutar / e a Embraer reestatizar!".O caso das demissões na Embraer deu grande visibilidade e virou símbolo de uma t ragédia que a crise está impondo a milhões de trabalhadores no mundo inteiro: o desemprego. Em São José mesmo, no início do ano, a General Motors demitiu mais de 800 funcionários.Aí está a importância deste ato. Não da atividade em si, mas principalmente pela unidade que representou e que precisa ser mantida em todas as lutas. O dia 1º de abril pode ser um grande dia de mobilizações, um marco inicial para a resistência dos trabalhadores contra a crise, para fazer com que os patrões que a criaram paguem por ela.Neste momento, a campanha pela readmissão dos 4.200 operários e pela reestatização da Embraer torna-se decisiva para as lutas futuras. Uma vitória nesta campanha significa uma vitória de toda a classe trabalhadora.

segunda-feira, 2 de março de 2009

centrais sindicais

Centrais sindicais têm reação tímida à crise
FÁTIMA FERNANDESCLAUDIA ROLLIda Folha de S.Paulo

A atuação das centrais sindicais para enfrentar os efeitos da crise mundial no mercado de trabalho revela despreparo para defender o trabalhador, falta de sintonia com o cenário econômico e social e atrelamento de parte do movimento sindical ao governo Lula -caso da CUT e da Força Sindical, as duas maiores representantes dos trabalhadores do país.
Essa é a avaliação de parte de líderes sindicais e de especialistas que estudam o movimento no país. Para eles, a reação das centrais e de sindicatos é tímida diante da onda de demissões que ocorre no país desde dezembro. O Brasil perdeu 797,5 mil empregos com carteira assinada desde novembro, segundo o Ministério do Trabalho.
Para outra parcela de estudiosos do movimento sindical, as centrais, assim como as empresas, foram pegas de surpresa com a intensidade da crise e tiveram até de aceitar a redução de jornada e de salários para manter empregos -posição defendida pela Força Sindical.
"As centrais sindicais estão enferrujadas. Até setembro do ano passado, o Brasil vivia fase de crescimento econômico e a atitude das centrais era conseguir algo mais para o trabalhador num contexto de expansão. A crise pegou os sindicatos e as centrais desprevenidos para preservar os direitos trabalhistas em uma fase de retração econômica", afirma Ricardo Antunes, professor de sociologia do trabalho da Unicamp.
O que pesa ainda contra o trabalhador, diz ele, é o fato de a Força e a CUT serem "prisioneiras" do governo Lula -cutistas ocupam cargos no governo petista, e sindicalistas ligados à Força, no Ministério do Trabalho. "As centrais ficam também acuadas porque conseguiram vantagens desse governo, como o imposto sindical, que foi estendido a elas."

Em 2008, entrou no caixa de sindicatos, federações, confederações e centrais cerca de R$ 1 bilhão arrecadado com o imposto sindical recolhido de forma obrigatória dos trabalhadores -o valor corresponde a um dia de trabalho. Ao mudar a lei e reconhecer as centrais, o governo Lula permitiu, em 2008, pela primeira vez, que elas recebessem uma fatia no imposto. Até agosto, as centrais receberam R$ 55,6 milhões.
Quando os empresários sentiram o agravamento da crise, diz Antunes, fizeram ajustes, como corte de investimentos, produção e emprego. "Como os sindicatos estavam dessintonizados com o movimento da economia, acreditaram, equivocadamente, que era hora de preservar o mínimo, como aceitar a redução de jornada e de salário. Mas o trabalhador não pode ser penalizado pela crise. E o corte nos lucros das empresas, como fica?"
Posição defensiva
A brusca mudança no cenário econômico, ressalta Wilson Amorim, coordenador de pesquisas da FIA (Fundação Instituto de Administração), levou os sindicatos e as centrais a mudarem rapidamente da posição propositiva para a defensiva.
"Em vez de pressionar por aumento de salário, tentam evitar demissões. Se há algo que o movimento sindical no Brasil sabe fazer é negociar. E a negociação, em um momento de crise como este, tem de ser feita de forma descentralizada, já que a crise atinge setores econômicos de maneiras diferentes", afirma Amorim.
A crise deve contribuir para que o movimento sindical passe por um processo de "amadurecimento", segundo avaliam os especialistas e reconhecem os próprios líderes sindicais.
O que pode ocorrer é uma reestruturação no cenário sindical, com o crescimento de centrais mais ligadas à esquerda e de organizações até então consideradas inexpressivas.

Com o agravamento da crise, as centrais podem ir às ruas para "marcar presença" -e até com certo "atraso", na avaliação de alguns especialistas. Até então, não houve nos dois mandatos de Lula tantas manifestações e críticas ao governo.
"No governo FHC sequer éramos recebidos. No governo Lula, conseguimos construir uma política para o salário mínimo, a correção da tabela do Imposto de Renda, a legalização das centrais e discutir o Bolsa Família. Houve ganhos para o movimento sindical", diz Artur Henrique, presidente da CUT. "Mas criticamos quando é preciso criticar. O governo reduziu o IPI para os carros, só que faltou cobrar a contrapartida de garantia de empregos."
A discussão em torno da redução de jornada e salários, para evitar demissões, encampada pela Força e pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), reforçou, segundo estudiosos, o racha que existe entre as centrais sindicais -o que é ruim, neste momento, para o trabalhador. CUT, Conlutas, CTB e CGTB não aceitam a redução salarial. Enquanto Força e UGT aceitam medidas previstas na lei.